Mostrando postagens com marcador Festival. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Festival. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Viajo porque preciso, volto porque te amo

Lembrando sempre que falo apenas dos filmes que pude assistir, os três que destaco na seleção competitiva nacional são, não por acaso, filmes que revolucionam, cada qual do seu jeito, a estética e a temática dessa geração cinematográfica nacional em que nos encontramos.

“Viajo porque preciso, volto porque te amo”, longa dirigido pela parceria de Karim Ainouz e Marcelo Gomes é um filme sensível e lindo. Uma beleza que não é óbvia, mas que advem da sutileza e do sofrimento de seu personagem principal, assim como da crueza e do lirismo sincero das imagens.

Ambos diretores haviam filmado e fotografado durante as buscas de locação ou até mesmo durante a produção de seus filmes anteriores que se passavam no nordeste brasileiro. “Cinema, aspirinas e urubus”, assim como “Céu de Suely” foram material bruto do novo longa feito pela dupla. Engraçado como aquele material de pesquisa, que teoricamente seria o rascunho dos filmes mencionados se transformaria em linguagem e memória de um novo personagem, completamente destacado e independente das histórias que contaram anteriormente.

Uma das coisas mais surpreendentes é que nada parece estar fora de lugar. Por mais que sejam usados diversos formatos: digital, película - 16mm, 35mm, Super 8 - máquina fotográfica, as imagens todas se encaixam na narrativa sofrida e à flor da pele desse personagem em constante deslocamento.

José Renato, protagonista que nunca vemos, mas que nos guia durante todos os 70 minutos com sua voz calma e forte, parte em busca de conforto e de esquecimento. Após o término com sua mulher, Joana, fato que só descobrimos após algum tempo de filme, o geólogo viaja a procura de consolo, na expectativa de poder voltar a viver sem sofrer, sem lembrar o tempo todo de sua galega. Ou simplesmente na procura de si mesmo, e de respiro, já que se encontra naquela situação em que não consegue se pensar desligado do outro e precisa descobrir essa sua nova identidade unitária e só e nem consegue ver a dor passar.

O processo de superação deste amor, pelo qual ele passa, momento com a qual quase todos podemos nos identificar, é tocante, emocionante e possivelmente até revelador. Ao acompanhá-lo, o espectador fica em um instante estado de "à beira de transbordar".

Não nos é apresentado dados externos sobre essa mulher ou sobre o relacionamento dos dois. Toda a fonte de informação que temos é a memória e a fala de José Renato. Ele mesmo não contextualiza muito nem tenta explicar porque teriam terminado, quanto tempo juntos teriam ficado e nem dá detalhes sobre a felicidade ou tristeza anterior. Fala como num fluxo de pensamentos, que se justificaria por ser um diário de bordo, já que esta viagem tem também um propósito profissional de avaliar a possibilidade de construção de um canal que resultaria da transposição das águas do rio São Francisco.

Entre lembranças e impressões de sua viagem, as divagações de Zé Renato vão formando uma colcha de retalhos, cada pedaço com uma beleza particular, com uma história rica de detalhes, se completando pelo diferente, se encaixando pelas imperfeições.

Marcelo Gomes fala que este filme surgiu da idéia de usar das imagens filmadas na busca por esse sertão místico já tão retratado, mas pouco conhecido, aquelas que mais os impressionavam e os emocionavam. Para isso, precisavam de um personagem capaz de abarcar toda a emoção, a tensão e os questionamentos pelos quais os diretores também passaram.

Fala também que esse filme foi um ótimo exercício para se pensar a arte-profissão que pratica.

“É difícil assistir o filme até o final, por ser tão pessoal. Mas ao mesmo tempo é ótimo, porque acho que fala muito do que nós acreditamos que é fazer cinema”.
Marcelo Gomes

Assim como as contradições das imagens mostradas, ora poéticas, ora sujas, ora inspiradas, ora borradas e tortas, o personagem passa por etapas comuns para alguém em sua situação, de confusão e insatisfação. Um dos momentos mais significativos talvez seja quando diz algo que pode ser compreendido como uma fala dos diretores em relação a sua profissão ou a esta região árida brasileira, ou simplesmente de José Renato em relação à Joana: “Sinto ondas abruptas de ódio e amor por você”.

Além disso, uma das melhores coisas do filme é não só sua complexidade de sentimentos, como a maneira com a qual lida com toda a tristeza e a desilusão. Não é um sofrer apocalíptico e sem esperanças. É um gosto amargo e um processo pelo qual ele sabe que precisa passar antes de ficar bem.

Viajo porque preciso, volto porque te amo é uma raridade da cinematografia brasileira que merece ser vista pelo máximo número de pessoas. Espero que motive outros a pensarem que é possível fazer um cinema delicado, autoral e brasileiro, com poucos recursos, mas bastante sensibilidade e criatividade.

Listagem Festival do Rio

Quase uma semana depois do término das atividades "Festivalísticas", a cidade começa a voltar ao normal. Um feriado para acalmar e colocar todos em dia com suas rotinas diárias.
Esta que vos fala, Raquel, acabou não conseguindo escrever durante as duas semanas do Festival do Rio porque estava trabalhando no mesmo. Sendo assim, minha rotina se dividia entre trabalhar, ver filmes e descansar por 4 horas, quando possível.
Isso não quer dizer, entretanto, que eu tenha esquecido minhas obrigações para com o site e para com qualquer pessoa interessada em saber sobre os resultados e impressões em meio aos 300 filmes estrangeiros e nacionais da décida edição do evento.
Por isso, resolvi destacar os melhores filmes dos 52 que assisti. Se possível, também prevenir contra algumas bombas e comentar sobre o grande número que fica naquele limbo entre o medíocre e o aceitável.

As três preciosidades do cinema nacional:
  • O Amor segundo B. Schianberg
  • Os Famosos e os Duendes da morte
  • Viajo porque preciso, Volto porque te amo
Curta brasileiro que se destacou:
  • Bom dia, meu nome é sheila ou como trabalhar em telemarketing e ganhar um vale-coxinha
Melhores Documentários:
  • American Boy / American Prince
  • When you`re strange
  • Doutrina do Choque
  • It might get loud
Filme com temática gay:
  • Sinos Silenciosos
Filmes interessantes pela temática:
  • Nollywood Babilonia
  • Os Yes Men Consertam o Mundo
Filme Biográfico do ano:
  • Amália
Filmes que decepcionaram:
  • Tokyo
  • Aventura Erótica
  • O ultimo verao de la boyita
  • O dia da saia
  • Maradona
Filmes no limbo:
  • eu matei minha mãe
  • Sem vc nao sou ninguem
  • trafico de almas
  • a pequenina
  • o mercado
  • I am happy
  • Barba azul
  • Hotel atlantico
  • arranca me a vida
  • Mamae foi ao salao
  • an education
  • distante nos vamos
  • the time that remains
  • che 2 - a guerrilha
  • 24 city
  • politist adjetif

Filmes a se evitar:
  • Um outro Homem
  • Corredor Noturno
  • A procura de paz
  • Cornucopias
Filmes que me surpreenderam (nem tanto supresa em alguns casos, mas certamente foram os melhores longas ficção que assisti):
  • Bad lieutenant
  • 500 dias com ela
  • como desenhar um circulo perfeito
  • distrito 9
  • o pai dos meus filhos
  • white material
  • as praias de agnes
  • 35 doses de rum
  • O rei da fuga
  • aquario
  • mother
  • inglorious bastards

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O Festival do Rio vai muito além das salas de cinema

A contagem regressiva para o início do Festival de Cinema está terminando. A partir de amanhã, dia 24 de setembro, as atividades começam.

O que poucos sabem, porém, é há muito mais do que apenas sessões de cinema e debates nas salas. Por isso, tentarei brevemente informar o máximo possível sobre as atividades paralelas que também vão ocorrer nas próximas duas semanas.

Por onde começar? Pavilhão.

O evento, todo ano, apesar de espalhado por todo Rio de Janeiro, possui uma base, um local onde reuniões, seminários e festas acontecem. Durante vários anos, Copacabana abrigou a sede do Festival do Rio, mas agora, pelo segundo ano consecutivo, esta ficará localizada na Av. Barão de Teffé 75, no centro do Rio de Janeiro. Este galpão enorme tem espaço pra diversos ambientes e vai oferecer desde atividades privadas àquelas abertas para o grande público. Em geral pode-se dizer que o Pavilhão receberá todos que chegarem, normalmente entre 10 e 21 hrs. Dentre suas muitas atrações há:

Um cinema que funcionará durante toda a segunda semana do Festival, mostrando a cada noite, às 21:00, um filme em 3D de graça. Desde Beowulf a lançamentos recentes como Up, da Pixar. As sessões são sujeitas à lotação e podem ser reservadas pela Internet.

Uma sala que abrigará os cine encontros. Pra quem não sabe o que estes são, já me explico. O cinema Odeon, na cinelândia, passará todos os dias um documentário e uma ficção brasileiros, que fazem parte da mostra Première Brasil. As sessões de 13:00 e de 15:00 são populares, com ingressos a 2 reais. Após o término dos filmes, um ônibus estará na porta no cinema, com a EQUIPE do longa exibido e todos serão conduzidos ao Pavilhão. Lá, haverá uma sala onde se dará os debates. Então, todos que quiserem conhecer e conversar um pouco com os responsáveis do filme que tiverem assistido serão bem vindos. Dos convidados, já estão confirmados Fábio Assunção, Marco Ricca, dentre outros.

Uma sala de games, aberta para o público das 10 às 17 hs, que contará com jogos de última geração. “Os jogos serão disponibilizados nas mais diversas plataformas e consoles, tais como Nintendo Wii, X-Box, PSP, Playstation 3, Playstation 2 e computadores”. Monitores estarão a todo o momento dispostos a ajudar e tirar qualquer dúvida.

Um pequeno set de filmagem equipado com refletores de todos os tipos e tamanhos fornecidos pela Naymar Equipamentos, onde um cenário de um quarto estará montado, a espera de jovens cineastas que queiram filmar algo ali. Qualquer pessoa pode chegar no espaço, que se estiver desocupado, poderá ser usado para filmagens em celular, câmera de vídeo, câmera fotográfica, o que for. Então, vão preparando seu roteiros e corram pra botar a mão na massa.

Workshops dados por grandes nomes nacionais e internacionais e seminários sobre as novas tendências do mercado também ocorrerão nesse tempo. Maiores informações e uma programação completa podem ser encontradas no site www.riomarket.com.br

Para os mais envolvidos com a área, o festival fornece o Rio Screenings, um espaço para “produtores, exibidores, programadores, sales agents e distribuidores em busca de negócios possam ver os filmes disponíveis” e depois, se interessados, se reunirem com os produtores para negociações de compras e vendas.

Alguns stands de empresas de iluminação, som e imagem e até de venda de livros especializados também estarão lá, no segundo andar, para quem quiser conferir.

Há dois restaurantes e alguns lounges com Internet wi fi gratuita.

Ou seja, não há como ficar entediado.

Saindo do Pavilhão, o festival se espalha pelas Praças do Rio de Janeiro. A RioFilme vai aproveitar o evento para iniciar oficialmente o projeto em conjunto com a Prefeitura chamado Cinema na Praça. Durante as próximas duas semanas, 8 praças espalhadas por todo o município exibirão filmes brasileiros como O Guerreiro Didi e a ninja Lili e Se eu fosse você 2. Além das praças, outros locais, como o Sesc de Ramos, Tijuca e Madureira também exibirão filmes gratuitamente.

Sexta, 25 de Setembro
• Largo do Machado – 18:30 Se eu fosse você 2
Sábado, 26 de Setembro
• Providência (Quadra da Comunidade) – 18:30 O Guerreiro Didi e a ninja Lili
• Praça Seca – 18:30 Se eu fosse você 2
Domingo, 27 de Setembro
• Mangueira (Quadra da Mangueira) – 18:30 O Guerreiro Didi e a ninja Lili
• Chapéu Mangueira (Quadra do Chapéu Mangueira) – 18:30 Se eu fosse você 2
• SESC Tijuca (Rua Barão de Mesquita 539) – 13:30 Branca de Neve
Segunda, 28 de Setembro
• Acari (Pça da rua Olaria) – 18:30 O Grilo Feliz 2
• Acari (Pça da rua Olaria) – 20:00 Asterix nos jogos Olimpicos
Terça, 29 de Setembro
• Rocinha (Rua Beta Lutz 80) – 18:30 O Grilo Feliz 2
• Rocinha (Rua Beta Lutz 80) – 20:00 Asterix nos jogos Olimpicos 35mm
Quinta, 01 de Outubro
• Lapa (Praça Monsenhor Francisco Pinto) – 18:30 Se eu fosse você 2
• Esp. Criança Esperança (Cantagalo) – 14:00 Se eu fosse você 2
Sexta, 02 de Outubro
• SESC Engenho de Dentro (Av. Amaro Cavalcante 1661) – 14:00 Branca de Neve
• Paquetá (Praça São Roque) – 18:30 O Guerreiro Didi e a ninja Lili
• Paquetá (Praça São Roque) -20:00 Se eu fosse você 2
• SESC Madureira (Rua Ewbank da Câmara 90) – 14:00 Branca de Neve
• SESC Madureira (Rua Ewbank da Câmara 90) – 19:30 Pele de Asno
Sábado, 03 de Outubro
• SESC Tijuca (Rua Barão de Mesquita 539) – 13:30 Pele de Asno
• Largo do Machado – 18:30 Se eu fosse você 2
Domingo, 04 de Outubro
• 18:30 Tavares Bastos (Quadra da Comunidade) – Se eu fosse você 2
• Urucânia (CIEP Alberto Pasqualine-Rua Clion Cunha Brum) – 18:30 Se eu fosse você 2
Segunda, 05 de Outubro
• Cajueiro – 18:30 O Grilo Feliz 2
• Cajueiro – 20:00 Asterix nos jogos olímpicos
Terça, 06 de Outubro
• Vidigal (Praça do Vidigal) – 18:30 O Grilo Feliz 2
• Vidigal (Praça do Vidigal) – 20:00 Asterix nos jogos Olimpicos
Quarta, 07 de Outubro
• Asa Branca (Av. Salvador Allende) – 18:30 O Grilo Feliz 2
• Asa Branca (Av. Salvador Allende) – 20:00 Asterix nos jogos Olimpicos
• SESC Ramos (Rua Teixeira Franco 38) – 10:00 Branca de Neve
• SESC Ramos (Rua Teixeira Franco 38) -14:00 Pele de Asno

Essa iniciativa vai continuar ao longo de todo o ano e seu objetivo é completar, contando com essas de agora, 96 sessões em praças espalhadas por todas as regiões do Rio até agosto do ano que vem.
Ok, acho que pra começar, já ta bom, não?

O que mais eu ficar sabendo ou lembrar, ponho aqui.
Então, espero que todos aproveitemos muito o Festival. Vejam muitos filmes, debatam sempre que possível, aprendam e divirtam-se.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Festival CineMúsica






Saindo do Rio sexta feira, às duas da tarde, concomitantemente a vários cariocas ávidos por aproveitar o feriado prolongado e dar uma merecida escapadela, passando por Piraí, Barra do Piraí e outros enfim, a viagem de quatro horas me trouxe a Conservatória, cidade sede do Festival CineMúsica.

Em sua terceira edição, o Festival, mais uma vez, prestigiou e homenageou nomes importantes da história do som no cinema brasileiro, atual e de outrora. Nomes como Carlos de la Riva, Juarez Dagoberto e Ricardo Reis são alguns dos que figuraram os prêmios e homenagens da sessão de abertura na sexta feira à noite.

Além de cinema e música, o evento trouxe também, através da parceria com o Senac, um setor gastronômico com degustações e aulas de culinária abertas para o público.

A estrutura do festival contou com a sala de cinema itinerante CineTelaBrasil, montada no fim da rua principal, ao lado de vários barzinhos e uma charmosa praça; uma reprodução do Cinema Metro Tijuca com 60 lugares construída pelo cinéfilo delegado da cidade e entusiasta do CineMúsica, Ivo Raposo, e um palco na Praça Central, equipado com duas telas de tamanhos diferentes, onde as atividades de dança e apresentações se desenrolaram.

Conservatória não é uma cidade convencional. Conhecida como a capital mundial da seresta, a cidade turística é talvez a única que conheço que fecha durante a semana. Pousadas, lojas, comércio funcionam de sexta a segunda. Se você estiver querendo um lugar pra ficar entre terça e quinta, vai encontrar sérias dificuldades. Mas bizarrices de lado, o clima era de festa. Todas as sessões foram gratuitas e contaram com a participação de pessoas de todas as idades.

Hernani Heffner, curador da mostra, chama atenção para o fato deste ser o único festival nacional voltado ao universo do som no cinema, área muitas vezes negligenciada, escondida pelo glamour da fotografia, do roteiro ou da direção.

O som é um aspecto que muitas vezes passa despercebido pelos espectadores, exceto quando há problemas na exibição, na legibilidade dos diálogos, ou dessincronização. Dessa maneira, quando mais difuso e incorporado à narrativa, menos notado ele é. Em sua totalidade, desde ruídos imperceptíveis e foley à mixagem geral, dividida em múltiplos canais, a trilha acaba sendo vista como um simples acompanhamento e não uma segunda forma de expressão, que não só complementa, mas adiciona significado a linguagem visual. Ademais, muitas pessoas não entendem que a captação do som envolve um processo todo diferenciado da captação das imagens. Cada um depende de regras e tecnologias diferentes e seus técnicos passam por desafios diversos.

Não só esses quatro dias foram uma oportunidade de se assistir os filmes e pensar sobre o tema, como também de discutir e aprender através de debates e entrevistas.

Juarez Dagoberto, ganhador do Troféu Personalidade Sonora deste ano, técnico de som desde a década de 50 e ativo até hoje no mercado, nos contou um pouco sobre suas aventuras ao longo destes anos, incluindo uma experiência quase morte nas filmagens de Fitzcarraldo com o diretor alemão, Werner Herzog. Através de suas histórias pudemos conhecer um pouco mais sobre detalhes técnicos, a evolução nos processos de gravação e mixagem e mudanças estéticas, e desmistificar algumas fortes críticas ao som no nosso cinema. Nos revelou que a causa de problemas de abafamento do áudio, dentre outros, seriam as próprias salas de exibição, não bem equipadas ou com materiais envelhecidos e mal cuidados, não permitindo a melhor percepção possível do trabalho da equipe de som.

O filho de Carlos de la Riva também compareceu para nos relembrar a vida de seu pai, que mudou os rumos da qualidade do som no filme brasileiro.

“Chamar profissionais da área é algo muito pouco prestigiado. Essas são pessoas com ensinamentos técnicos e expressivos que nos permitem compreender os desafios de diferentes épocas e assim, também, os processos criativos desde antes até hoje. É uma forma de eternizar a vivência desses artistas com carreiras de dezenas de anos e uma oportunidade de sabermos não só detalhes técnicos como a história de filmagens e suas dificuldades”. Ruy Gardnier – Assistente e Auxiliar de Curadoria

Houve ainda uma discussão sobre o pólo de produção cinematográfica em Barra do Piraí e uma leitura seguida do lançamento do livro Nas Trilhas do Cinema Brasileiro, apegado de textos de oito estudiosos do ramo, que tentam esclarecer questões importantes e fazer uma cronologia da trilha no nosso cinema através das décadas.

Alguns dos pontos altos da programação foram a apresentação da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, que lotou a praça central e fez muita gente dançar o baião das composições de Guerra Peixe; o documentário sobre a banda Mamonas Assassinas, que reuniu fãs e curiosos; o documentário emocionante sobre Arnaldo Baptista (Lóki) e as sessões infantis “Os Porralokinhas” e “O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes”.

O mais recente documentário de Lírio Ferreira, “O Homem que Engarrafava Nuvens”, gerou deliciosas discussões e emocionou pela sua capacidade de abarcar grandes momentos de nossa cultura através do baião e da vida de Humberto Teixeira. Um filme que vale a pena ser visto quando estrear nas salas de cinema.

A programação completa pode ser encontrada no site: http://www.festivalcinemusica.com.br/

Este ano provou ser mais um ano de consolidação do Festival, que promete continuar e tentar melhorar cada vez mais, mostrando filmes de boa qualidade e trazendo a tona o tema do som, de forma tanto analítica como poética.